Entre os principais nomes dos transtornos psicológicos e dos distúrbios de ansiedade, está a síndrome do pânico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 280 milhões de pessoas no mundo, ou seja, 4% da população total, sendo 6 milhões só no Brasil, sofre com essa síndrome.
Por isso, mais uma vez, viemos trazer um guia completo sobre o tema, para que com informação você saiba identificar melhor os seus sintomas, e buscar ajuda de um especialista, ou ajudar a alguém que precisa. Veja também o depoimentos dos psicólogos e especialistas do Zenklub.
O que é síndrome do pânico?
A síndrome do pânico é um tipo de transtorno de ansiedade, caracterizada por crises inesperadas de medo, insegurança e desespero, aparentemente sem qualquer risco real. Essas crises provocam sintomas físicos e psicológicos, como vamos detalhar mais a frente, e esses acontecimentos trazem prejuízos a manutenção das atividades normais de quem sofre, além de uma preocupação adicional da iminência de um novo episódio, que pode ocorrer inclusive durante o sono.
Síndrome de pânico: causas
As causas exatas ainda não foram identificadas, mas a ciência afirma que há fatores que podem influenciar esse comportamento, como a genética, o tipo de temperamento da pessoa, o estresse e as mudanças cerebrais que ocorrem, como uma reação, a episódios e situações específicas.
Segundo o especialista do Zenklub, Massashi Saito, há fatores de risco que podem desencadear uma crise de ansiedade e consequentemente uma crise de pânico:
- Episódios de reação com estresse extremo;
- Transições de vida ou de carreira de forma abrupta;
- Morte ou situação de doença de um ente querido;
- Situações de estresse pós-traumático (TEPT);
- Histórico de violência e abuso na infância;
- Tendência a preocupação excessiva;
- Necessidade de estar no controle da situação;
- Expectativas altas;
- Dificuldade em aceitar mudanças de opinião;
- Repressão de sentimentos pessoais negativos;
- Negação de que haja algo de errado;
- Ocupação constante;
- Admissão de grandes responsabilidades e alto grau de exigência pessoal;
- Perfeccionismo e má aceitação de erros.
Pesquisas afirmam que a síndrome do pânico é mais comum em mulheres do que em homens e que é mais facilmente já na idade adulta, sendo mais comum em pessoas a partir de 30 anos.
Síndrome do pânico: sintomas
Leia o relato real de uma pessoa que descreveu como se deu o seu ataque de pânico:
“Estava deitado tentando dormir e me vem uma forte vontade de vomitar, uma tontura, as mãos começam a suar frio, meu coração dispara. Tento controlar a respiração, mas quanto mais me observo respirar mais acelera o meu coração. A frequência cardíaca está muito alta. Não consigo controlar. Perco o controle dos meus próprios pensamentos. Ligo direto para SAMU. Sei que deve ser um ataque de pânico, pois já senti isso muitas vezes, mas e se não for e eu estiver morrendo? Tendo um ataque cardíaco? Mais uma vez chego ao hospital, faço exames. Procuro respostas. Não tenho nada físico. O médico diz ser ansiedade, emocional. De onde vem isso? Como posso controlar isso? Quero parar de sentir meu corpo morrendo toda semana. É uma angústia aterrorizadora”.
Como você pode perceber, há sintomas psicológicos e físicos em uma crise de pânico e que podem aparecer simultaneamente ou não, e em variados níveis.
Sintomas físicos:
- Palpitações e aceleramento cardíaco;
- Suores intensos;
- Calafrios ou ondas de calor;
- Tremores ou abalos e formigamentos;
- Sensação de falta de ar ou sufocamento ou asfixia;
- Náuseas ou desconforto abdominal;
- Dores ou desconforto no peito ou tórax;
- Tonturas e vertigens;
Sintomas psicológicos:
- Medo de perder o controle ou de enlouquecer;
- Medo de morrer;
- Sentimento de estar em perigo;
- Sensação de bloqueio mental;
- Desrealização e despersonalização das pessoas e coisas;
- Angústia;
- Sensação de transtorno de ansiedade generalizada;
- Medo do medo de ter outro ataque.
Crise de pânico X síndrome do pânico
Existe diferença entre crise e síndrome do pânico? Sim, e essa classificação tem a ver com a recorrência desses episódios. Se forem frequentes, é possível que você tenha desencadeado uma condição de síndrome do pânico, caso não, você está experimentando uma crise diante de uma situação conflitante e momentânea.
Segundo a especialista do Zenklub, Lidiane Pontes, quem vive uma situação de crise de pânico experimentam a seguinte sensação: “É vivenciar uma experiência de intenso medo ou mal-estar acompanhado de sintomas físicos e/ou cognitivos. Mas as crises de pânico podem ser verificadas em outros transtornos de ansiedade, nas fobias específicas, como a agorafobia, tripofobia e claustrofobia, na fobia social e no transtorno obsessivo-compulsivo.”
Relação entre pânico e ansiedade
Como a síndrome do pânico está dentro de um dos tipos de transtornos de ansiedade, vale também você considerar avaliar a sua relação com esse distúrbio. No Zenklub é possível você testar o seu nível de ansiedade a partir do nosso Teste de Ansiedade, que a partir de 7 perguntas, com duração de menos de 1 minuto, você consegue entender melhor a sua relação com a ansiedade. O teste é adaptado do teste científico Americano criado pelo Dr. Spitzer e Dr William (GAD – Generalized Anxiety Disorder 7).
Medo de ter uma crise
Como bem falamos, as pessoas que passam por uma situação de crise, passa a desenvolver um medo ainda maior em viver isso novamente. Para Lidiane, “A pessoa não sabe identificar ou prever quando e onde eles ocorrerão, então, começa a ficar preocupada e apreensiva com a possibilidade de sofrer novos ataques.”
Para ela a sensação de medo provoca reações e a pessoa passa a evitar situações em que se encontra no meio de uma multidão, evita viajar sozinha, prefere não sair de casa e deixa de frequentar lugares onde a possibilidade de fuga não seja tão fácil.
“Enquanto que nos transtornos fóbicos, o foco do medo está em uma situação específica, nas situações de pânico é mais comum verificar que os ataques de pânico são determinados pelo momento. Em geral, o indivíduo sabe dizer de forma clara qual é o estímulo situacional que gera as perturbações.”
Síndrome do pânico tem cura?
A síndrome do pânico pode sim ser superada ou amenizada quando tratada adequadamente a partir da orientação médica. A psicoterapia é a ferramenta mais indicada e irá agir nas causas dos sintomas a fim de amenizar os episódios até a possível total eliminação da síndrome. O mais importante é buscar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra ao mínimo desconforto e manifestação dos sintomas, pois assim você reduz as chances do quadro evoluir e desencadear outros distúrbios.
Síndrome do pânico: tratamento
Como falamos, a psicoterapia é o melhor caminho para quem precisa cuidar do seu bem-estar emocional, principalmente diante de sintomas de uma síndrome. Segundo a especialista Lidiane, “A abordagem cognitivo-comportamental está entre os tratamentos preferenciais para as pessoas que apresentam o transtorno de pânico. Esse tipo de enfoque combina duas frentes:
- Cognitiva: reconhece os estímulos desencadeantes internos e específicos, como pensamentos, emoções e sensações, e leva à modificação dos padrões de interpretação.
- Comportamental: resulta na mudança de comportamentos disfuncionais da pessoa, com isso, tendem a restabelecer a qualidade de vida e o bem-estar.”
Diagnóstico
O diagnóstico é feito a partir de uma avaliação psicológica, mas pode ser necessário também análises físicas através de exames, para descartar a possibilidade de qualquer outra doença. É importante que você tenha em mente todos as sensações e sintomas que você tem sentido para relatar ao médico com o maior nível de precisão possível.
Remédio para síndrome do pânico, existe?
Para o especialista do Zenklub, Massashi, “A utilização de medicação para controle dos sintomas é singular em cada caso e também depende do nível de ansiedade em que a pessoa se encontra. Algumas pessoas optam por um tratamento combinado de medicação e psicoterapia, enquanto outras optam por tratar o pânico somente através da psicoterapia.”
“Optar somente pelo tratamento medicamentoso não é indicado visto que o índice de recaídas com os sintomas é maior, já que não há a possibilidade de se trabalhar com o psiquismo da pessoa bem como as interferências emocionais que porventura causam as crises.”, completa o especialista.
Síndrome do pânico na gravidez
Durante a gravidez, as mulheres passam por diversas alterações hormonais e convivem com diversos pensamentos sobre a saúde do bebê, por exemplo. Por isso, é normal que nesse período, as grávidas desenvolvam mais os sintomas de ansiedade em níveis mais elevados.
Essa mudança em sua reação com a ansiedade, sem generalizar como algo obrigatório, pode levar sim a mulher a ter crises de pânico, principalmente, se ela já tiver algum histórico de ligação com os sintomas.
Tanto o excesso de ansiedade quanto as crises podem representar complicações para a gravidez, entre esses riscos temos:
- Probabilidade de ter um parto prematuro;
- Risco de pré-eclâmpsia;
- Diminuição de movimentos do feto;
- Maiores chances do parto ser por cesária do que normal.
Para esses casos, o tratamento deverá ser baseado na psicoterapia, já que a utilização de medicação é bem mais restrita. Além disso, vale lembrar que muitas mulheres desenvolvem transtornos mentais após o parto, como a depressão pós-parto, ou seja, vale a pena não esgotar o tratamento só porque a gravidez acabou. Siga se cuidando.
Buscando ajuda
Seja para você que está sofrendo com os sintomas da síndrome do pânico ou para você que convive próximo a alguém que sofre, lembre-se de que você não está sozinho nessa. A terapia é a sua melhor opção e poderá transformar esses momentos difíceis em mais um caso seu de superação.
Muitas pessoas convivem silenciosamente com esse distúrbio, muitas vezes por falta de informação ou de condições de pedir a ajuda de um especialista. Então, não deixe de espalhar essas informações e ajude de alguma forma a quem precisa, e encontre um especialista, seja com atendimento presencial ou com psicólogos online.
Faça o teste!
Acesse o nosso Teste de Síndrome do Pânico, responda algumas perguntas e veja se os sintomas e desconforto que você está sentindo tem a ver com as causas e fatores relacionados a Síndrome do Pânico.
Vale lembrar que o diagnóstico clínico apenas poderá ser relatado por um médico especialista e o teste, criado pela Associação Americana de Psiquiatria, serve apenas como parâmetro para você se compreender melhor e buscar ajuda.
Dicas para controlar uma crise de pânico
Em geral, sabemos o quanto pode parecer difícil, mas há técnicas que os especialistas recomendam em caso de uma crise:
- Tente relaxar com a respiração: a alteração na respiração causada pela crise, pode ser controlada com movimentos respiratórios mais lentos, ou seja, procure inspirar lentamente pelo nariz, retenha esse ar por alguns segundos nos pulmões, e expire considerando o dobro de tempo que você utilizou na inspiração;
- Pensamentos positivos: sua mente pode ficar confusa e cheia de medos, por isso, procure pensar em algo que lhe agrada e alegra e encha a sua cabeça de pensamentos positivos para fugir dessa nuvem negativa;
- Alimente-se regularmente: longos períodos sem comer, por exemplo, podem alterar o seu equilíbrio no organismo e causar mais predisposição a ter uma crise. Procure realizar pequenas refeições a cada 4 horas ou busque ajuda de um nutricionista para identificar essas suas necessidades biológicas;
- Seja menos exigente: muitas pessoas desenvolvem uma crise devido a própria cobrança que fazem com si próprio ou por alto grau de perfeccionismo. Seja gentil com você mesmo e desenvolva as coisas no seu tempo. Se ajudar, tente organizar lista de tarefas otimista, que você consiga cumprir sem grandes esforços;
- Aproxime-se de quem você ama: nada melhor do que amigos e a família para compartilhar momentos de distração, amor e paz. São essas construções de momentos positivos que vão lhe ajudar a se conectar com o seu melhor.